16.6.10

PARA JOSEILDO AUSENTE

(...) você ausentou-se. Para outra vida?
A vida é uma só. A sua continua
Na vida que você viveu.

(Manuel Bandeira)



Anunciaram seu triste e derradeiro ato. Meus olhos (de relance – quero só os teus sorrisos na lembrança), meus ouvidos testemunharam: A alma profunda, ainda não. Por isso não sinto agora a sua falta. Mas sei bem que ela virá (o Tempo é insistente). Vai ser assim: toda vez que tiver novidades vou querer te ligar, como era tão certo fazer – você rindo e dizendo adorar minhas histórias malucas – mas o telefone não atenderá mais. Virei ao Recife, você não virá me ver. Ainda não sinto sua falta, meu amigo (é sempre assim quando o ausente parte sem se despedir: você não se despediu, e nem disse a mim nem a ninguém os seus exatos motivos); mas irei ao Cinema da Fundação, sentarei para um café e facilmente me virá à mente aquele dia em que fomos para lá e eu insistentemente lhe repetia o quando você estava bonito com aquele cabelo e aquela barba. Alguém me perguntará em que estou pensando, sorrirei sem dizer que em você, profundamente.

Você não se despediu, mas muita gente esteve lá para te dizer adeus, para te chorar, esperançosas de uma explicação. Você não disse nada a ninguém. Quem te decepcionou? Sei que o que te angustiava eu provavelmente não pudesse resolver, mas imagino que cada passo que você deu na longa distância que percorreu até chegar em casa fez sua agonia retumbar cada vez mais alto. E pelo menos nisso, meu caro, qualquer um de nós que te amamos estaríamos dispostos e poderíamos de alguma forma resolver. Não tenho carro, mas você poderia ter ligado para que eu te ajudasse a chegar em casa. Imagino teus pés cansados... você que se dizia cansado de esperar o que se vê nos filmes e livros. Sua vida não era só sua, nós que te amamos também éramos donos dela. Mas não te repreenderei. Todos nós temos direito de desistir e de gritar. O teu grito foi ouvido por aqueles que te ofenderam, eu tenho certeza.

Há muitas flores onde escolheram para te devolver à Terra, árvores também. Bonito o local. Chovia, porque todos nós não daríamos conta de chorar a dor do momento. Sua mãe não quis guarda-chuva – entendo ela que precisava banhar-se nas grandes águas de que fala a Hilda Hilst. Mas sua cunhada levava o guarda-chuva colorido que Guigui lhe deixou e com o qual você tirou fotos lindas na Sé. Ainda te choro e não tentarei me conter até que chore tudo o que tiver de chorar. No entanto me conforta lembrar da última vez que nos vimos: quando nos despedimos te dei um beijo enquanto te abraçava e disse: te amo, meu amigo Joseildo. Era a mais pura verdade, você, sensível, eu sei que acreditava. Por isso não sinto agora a sua falta...

8 comentários:

RIcardo disse...

E deixo registrado também a saudade que surgirá das coisas que ainda seriam vividas. Não o conheci pessoalmente, a ficha ainda não caiu, mas já sei que nossas conversas e cumplicidades vão fazer grande falta! Sem contar sua doçura, seu sorriso, sua paciência, sua bondade...
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Saiba que pros amigos só de papos e conselhos e risadas (tudo por escrito - =/) você também foi um menino de ouro!

Te amo, amigo!

Rod Sánchez disse...

Também já encarei essa barra, amigo. A diferença é que não tive a sensibilidade de escrever algo tão bonito assim. Lindo, lindo. Que ele esteja em paz, e que o seu coração logo se acalme da triste surpresa.

Mãos de Artesã disse...

lindo suas palavras, definiram de ótimo tom muito de meus sentimentos..
obrigada por essa homenagem muita linda...

Vendo expressões como essa aliviam o peito.. conforta em reforçar o que já sabia.. o quanto era amado..

impossível não é?

era como meu irmão...

Anônimo disse...

Po, que lindo! ;~

daan.

@criz_coca disse...

Sou sua fã , vc tem o DOM DA PALAVRA!

Wellthon Leal disse...

Emocionante,
:/

Wagner disse...

to besta, ele faleceu, pus, super inteligente, falava com ele por msn, lia as coisas dele no orkut, cacete, puta falta ele fará aos proximo! ='(

Tatiane Lemos disse...

que cantinho mais lindo esse seu aqui hein?

beijos, ja sigoo